Não existem pessoas perfeitas – contexto relacional -
Por Nuno Esteves
Bem-vindos a mais esta nossa partilha.
Felicidade – satisfação, bem-estar, prazer.
Perfeição – beleza, exactidão, excelência, habilidade.
Perfeito – belo, bem-feito, completo, hábil, ideal, impecável.
Começamos esta partilha, criando o conceito de três palavras essenciais para o decorrer da nossa leitura. A percepção do que é a felicidade, o modo de como entendemos a perfeição e a forma que escolhemos para lidar com a ilusão do ser perfeito. São três vértices de um triângulo que chamamos de relacionamento.
Expectativa – aguardar, esperar.
Arrependimento – lamentação, penitência, remorso.
Falando em relacionamentos, dois pontos confirmam-se essenciais e decorrentes no hábito diário relacional. O arrependimento originário em todas as vivências passadas e a expectativa criada e projectada no futuro, faz com que o fluir perca a sua prioridade. Esta transição, para quem vivencia um “estado conjunto” deturpa a correcta percepção do fundamento inicial. Foi ele, que levou á escolha de dois seres a juntarem caminhos e procurarem a segurança de estarem em equipa.
O casal forma uma única personagem. Esta poderá ser a visão exterior, construída no facto de serem vistos juntos e em partilha de situações sociais e pessoais.
Simbiose – associação, interacção, ligação, união, vínculo.
Socialmente, serão vistos como um ser simbiótico, inseparáveis na interacção com o exterior. A realidade anterior ao relacionamento (amigos, família e hábitos), altera-se a ganha uma nova perspectiva focada em dois seres diferentes e numa história específica. Um dos desafios, para manterem a harmonia será compreenderem e aceitarem o facto de que irão sentir a necessidade de estarem sozinhos. Sendo seres individuais, viver em partilha poderá vir a ser um obstáculo, orientando a realidade para o amor-próprio e amor incondicional.
Tempo pessoal – tempo individual, que proporciona a reflexão interna e o correcto entendimento do que sente e se propõe a atingir individualmente.
Tempo pessoal conjunto – tempo partilhado e dedicado a fortalecer o relacionamento.
A gestão do tempo pessoal é fundamental para que mantenham a estabilidade como base da relação. Neste ponto poderemos ver dois tempos. O pessoal, com a necessidade de reflectirem e estarem com o seu Eu interior. No casal iremos ter um outro tempo, que neste caso irei designar como “tempo pessoal conjunto”, reflectindo o tempo que dedicam e passam juntos.
A qualidade do tempo pessoal e pessoal conjunto, ganha uma prioridade cada vez mais crescente, na medida em que a atitude pessoal irá conhecer a percepção do que a outra pessoa é e significa.
O tempo pessoal poderá perder o contexto e desaparecer aos poucos. A dedicação é para com o outro e tudo o que é pensado e projectado, nasce da expectativa criada e recebida. Esta alteração, na maior parte das vezes, inconsciente, faz com que de inicio tudo seja perfeito e ao longo do tempo, começar a deteriorar-se até ao ponto de ruptura.
Os 6 meses iniciais – momento em que conhecemos em intensidade e a cada dia, mais nos aproximam na realidade: continuar ou terminar.
O inicio do relacionamento é vivido na simplicidade e gosto pessoal da descoberta de um outro ser e na redescoberta da capacidade de amar e de viver a sorrir. Alem da novidade, voltamos a ser crianças a viver simplesmente, que por estarem satisfeitas dão tudo. É uma realidade única e mágica, que orientará o pensamento para a visão positiva. De inicio, a pessoa escolhida para acompanhar, é perfeita. Em todos os sentidos e seja qual for a perspectiva, apenas se vê a perfeição e o ser imaculado. Costumam dizer que “o Amor é cego” e este facto nasce pela transformação que acontece no nosso racional. Ao amarmos e escolhermos libertar o que sentimos, criamos um fluxo de energia que liga a essência às emoções. o racional está posto de lado e por isso, expectativas e arrependimentos, inseguranças e medos, tudo é renegado para um plano inexistente.
1º ao 3º mês – Tolerância, compreensão, flexibilidade e visão positiva. Criação do conceito casal e transição do estar solteiro para estar a ser acompanhado e a acompanhar alguém. Começo da transformação interior.
Os 3 primeiros meses devem ser leves e onde se criam as fundações para o crescimento saudável do relacionamento. A estabilidade futura e a manutenção do equilíbrio entre ambos e para com o exterior, será conhecida de inicio e fundamentada em pequenos gestos diários.
Nestes meses, acontecerá uma coisa fundamental para o futuro de bem-estar: limites. Consciente ou inconscientemente, irão estar a ser criados os limites para diversas situações e acontecimentos. Apesar de se poder dialogar, será através da experiência na 1ª pessoa, que eles irão aparecer e ser sentidos. Ou seja, no seu próprio ritmo e no tempo devido, o casal irá receber “dicas” de como lidam e aguentam a presença de um outro ser.
4º ao 6º mês – Maior conhecimento de quem está a acompanhar. Noção de atitudes, personalidade e modo de reagir em determinadas situações. Percepção do papel dos amigos e família. Consciência das teclas assassinas (focos de instabilidade e de auto-defesa). Grau de tolerância, amor-próprio e incondicional reestruturados para a realidade de estar a sentir o sim ou o não.
Criação do conceito escolha e vontade própria, orientando para duas respostas: aproximação ou afastamento.
A partir (na maior parte dos casos) acontece uma mudança de atitude e transforma-se o modo simples com que se vêem as situações. Por já terem sido vividas situações, que levaram para o passado menos positivo, a tolerância e a capacidade de te paciência perde parte do seu poder. Acontece uma pequena “racha” na armadura inquebrável do relacionamento. A insatisfação que origina e consequente necessidade de dialogar fará, com que um dos dois seja confrontado. Este facto irá trazer a consequência que ambos irão ser enfrentados pelos seus medos, receios, traumas e vivências passadas. É um momento importante na vida de um casal, dúvidas serão esclarecidas e alcançadas certezas do que são e significam para lá de todas as máscaras iniciais.
Esta mudança, por existir um maior conhecimento (pessoal e do casal), faz com que tudo se torne mais frontal. Ao longo dos três meses iniciais, foram criadas as bases de confiança e de partilha (aparentemente) saudável. Pela sua existência, existe um maior á vontade para se ser franco e sincero. É neste ponto que as máscaras começam a cair e temos a oportunidade de conhecer quem escolhemos e nos escolheu para acompanhar.
A capacidade de escuta e de observação, bem como a vontade de mimar e surpreender, do 4º ao 6º mês poderão vir a sofrer uma reestruturação.
De inicio tudo é visto e sentido, através do filtro tolerante e simpático de estarmos a conhecer algo totalmente novo. As atracções que sentimos e a vontade de conhecer são tão forte, que nos orienta para o estado emocional puro. O racional torna-se mudo e cego.
É um mundo novo e cheio de possibilidades, expectativas. Além da pessoa escolhida, iremos conhecer a família, núcleo de amigos, mundo profissional. Por vezes, acontece a apresentação a personagens de relacionamentos anteriores. Dois mundos e dois gestores de tempo pessoal, que terão que encontrar o patamar transitório para o tempo pessoal conjunto.
Serão 6 meses de apresentações constantes. Será de esperar a vivencia de situações que trarão um reflexo emocional e consequente reacção. De inicio acontecerá de uma forma inconsciente (muito por fruto das teclas assassinas), porém gradualmente, será colocado em perspectiva. As suas próprias expectativas iniciais para o relacionamento serão fruto de comparações para com vivencias amorosas passadas.
Damos o nosso melhor, na percepção de que estamos certos. O correcto e o incorrecto, torna-se relativo pelo facto de que existirem opiniões diferentes. Cada uma tem o seu historial e adquiriu, através do desapontamento e sofrimento, a noção do que se propõe e do que não quer. Tudo é relativo e ao longo do amadurecimento do casal, muitos são os dilemas que irão aparecer.
Em todos os campos que exija entendimento e compreensão, irão ser colocados em teste. Tanto a parte física como a mental, deverão ser “ajustados” á realidade de serem duas pessoas, a escolher juntarem duas forças da natureza. Com objectivos pessoais e bloqueios concretos. Com gostos pessoais e prazeres específicos. Detentores de um conhecimento, sensibilidade e pontos de vistas, construídos ao longo de anos. Com fobias e percepções, de situações e acontecimentos, que variam consoante o seu estado de espírito.
O facto de não existirem pessoas perfeitas, acontece na constatação de que estamos todos a crescer e a cada segundo, a assimilar novas e inesperadas formas de sentir a vida. O relacionamento ao ser sentido com humildade, tolerância, flexibilidade e abertura á diferença de opinião, permitirá que se atinja a segurança e amor-próprio. A estabilidade acontece de dentro para fora e não de fora para dentro.
Amem de mão aberta e o amor acontecerá. Evitem a expectativa e recordem sempre: não existem pessoas perfeitas, mais cedo ou mais tarde, não iremos conseguir ser quem esperam que sejamos, da mesma forma que não conseguirão ser quem nós esperamos que sejam. Amem com alegria, mas primeiro aprendam a amar quem são e transformem os medos, receios e inseguranças, em pontos de diálogo e partilha positiva. Poderão esconder o que sentem, mas através das atitudes, irão estar a enviar uma mensagem. Qual tem sido a vossa mensagem?
Até breve.
É um privilégio escrever para a nossa leitura.
Nuno Esteves
Consultor de Bem Estar
htpp://bambu-consultoriadebemestar.webnode.pt



Boa tarde Nuno,
ResponderEliminarÉ a primeira vez que estou no seu blog e gostei muito. Amei a partilha "não existem pessoas perfeitas".
Estou neste momento, num relacionamento problemático, o Nuno acompanha casais?
Resto de boa tarde
Joaão Neves