Solidão como companhia do sec. XXI (2ª parte)
Por Nuno Esteves
Bem-vindos á segunda parte da nossa partilha.
A solidão, como conceito, orienta o nosso pensamento para a realidade de estarmos sós.
Estimativa da ONU em relação á população mundial. 6,8 milhões em 2009, 7 bilhões no ano de 2012.
Cronologia da população mundial:
10.000 a.C. - 4.000.000
8000 a.C. - 5.000.000
1 - 285.000.000
1567 - 450.000.000
1825 - 1.000.000.000
1900 - 1.600.000.000
1954 - 3.000.000.000
1984 - 5.000.000.000
1999 - 6.000.000.000
2010 - 6.825.750.456
2012 - 7.000.000.000
Através deste estudo e focado no numero de homens e mulheres, confirma-se que existem 57 milhões de homens a mais do que mulheres.
Solidão, o momento em que alcançamos a possibilidade de estarmos em reflexão interna. Momentos que podem ser vividos num prisma positivo ou negativo. Esta percepção irá reflectir a nossa escolha, de lidar e valorizar, o conteúdo de cada segundo “solitário”.
Socialmente, a solidão e o que ela significa, origina a instabilidade de não estarmos a conseguir ser o que esperam de nós. A criação da expectativa e a incapacidade de lidar e consequentemente atingir o pressuposto, faz com que a nossa atitude se altere gradualmente. Tudo é colocado em causa e o que nos propomos a fazer ou a ser, estará dependente do reflexo que causa em nós.
A solidão, origina o ócio e ele, mais uma vez, pode ser visto pelos dois prismas. O positivo e o negativo.
O tempo livre, sem termos nada para fazer (pelo menos aparentemente) tem reflexos específicos no nosso interior. O foco de atenção, na confirmação da incapacidade de deixar o estado “solitária(o)”, faz com que o pensamento entre num espiral de desvalorização pessoal, criando a certeza de que nada pode ser feita para modificar a situação de insatisfação pessoal.
Fisicamente, a solidão é algo a ter em conta. A criação do hábito de estar em casa, porque não se tem alguém para sair ou o refúgio que erguemos em nosso redor, fazem com que nos afastemos ainda mais das pessoas. Esta decisão fará com que se ganhe o hábito de estagnarmos e de nos tornarmos sedentários. O corpo físico precisa de manutenção e o exercício físico é um dos aliados que temos ao nosso dispor. A prática de exercício físico e a criação do ritual de cuidar do corpo (sensatamente), permite que o pensamento adquira a capacidade de libertar energia criada pela solidão e por isso, o sentimento de bem-estar aumenta. O facto de sairmos de casa e praticarmos exercício físico, também permite que interajamos mais com pessoas e com o ambiente que nos rodeia. Correr ou caminhar, escolhendo um local que transmita boa energia e vontade, faz com que aos poucos (respeitar o ritmo interno é fundamental e sensato), nos sintamos mais inseridos e menos sozinhos.
O pensamento. O elo de ligação entre o corpo físico e as nossas emoções. É na mente que tudo se junta e se cria. A nossa capacidade de mental de perceber e de colocar cada situação como mais-valia e não destruição pessoal, é algo que devemos ter sempre em consideração. Somos animais de hábitos (quem já ouviu esta afirmação?), adquirimos “manhas” o longo da vida, através da vivência de várias situações. O positivo e o negativo, formam um bolo que nos molda a mente e foca a capacidade de discernimento.
A solidão é algo que nos transmite tristeza e de alguma forma, sublinha a certeza de que não atingimos um de terminado parâmetro exigido pela sociedade: Estar com alguém. Quebrarmos este fluxo de informação, significará o primeiro passo para que nos propormos a ser mais felizes. Somos nós que criamos a imagem pessoal e é da nossa responsabilidade, a mensagem que enviamos para todos os que nos rodeiam. Treinar o pensamento e (numa primeira fase) obrigar a ter pensamentos positivos, que permitam criar um balão de bem estar e aliviar o espiral de stress que criamos de uma forma inconsciente.
- A Consultoria de Bem Estar, partilha a técnica dos 15 segundos, nela motivamos o pensamento a criar um quebra stress -
Somos seres emocionais e nesta realidade, estaremos sempre a vivenciar emoções. Positivas e negativas, ambas com o mesmo propósito: permitir e orientar-nos para o nosso apuramento pessoal e consequente evolução.
Crescemos de uma forma racional e focados (assim somos induzidos) a esconder emoções que reflictam fragilidades ou insegurança. Aproximamo-nos da idade adulta, com hábitos enraizados que nos orientam para a criação de máscaras protectoras e que nos criam a necessidade de estar sempre bem, a demonstrar sucesso. Entramos no mundo dos adultos, cheios de expectativas e sonhos, seguros (aparentemente) de qual é o nosso caminho e com objectivos fixos. Antes de sermos adultos (se é que algum dia seremos), criamos e criam-nos um mapa de rumo, será nele que daremos os primeiros passos. Para quem está no estado “solitário”, a responsabilidade de estar sempre certo, correcto e a demonstrar alegria e satisfação pessoal, é um desafio imenso e que obriga a despender imensa energia. Criamos a protecção e nasce a máscara. Sem se sentir bem e com necessidade de pedir ajuda ou um simples carinho, sentimos que o único caminho é esconder esta “fragilidade” e aguentar. Questiono se será esse o verdadeiro papel, sinto que não.
O corpo celular. As células que formam e constituem tudo o que somos e significamos. Cada uma é um registo de hábitos assimilados. Por sobrevivência, tomamos decisões e criamos ligações entre memórias, expectativas e probabilidades. As células armazenam cada certeza adquirida e são o primeiro ponto de protecção que temos dentro de nós. Enviamos informações diárias para cada uma e no retorno recebemos a reacção que nos transmite uma maior segurança e bem-estar. A vida é um conjunto de mensagens, que enviamos para o nosso interior. Será na nossa essência que iremos reformular e reconstruir cada uma, de modo a que construamos a base interna. O auto-conhecimento desempenha um papel essencial, pelo facto de que quanto mais nos conhecermos, mais iremos estar preparados para lidar com a percepção das mensagens antigas e já assimilados, mensagens futuras e suas expectativas e as mensagens que recebemos a cada segundo. São muitas mensagens e chegam a um ritmo alucinante.
No inicio da partilha, indiquei alguns dados estatísticos, que nos referem o numero de pessoas que existem no mundo. Somos muitos e cada vez mais. Ao reflectir no conceito de “solidão acompanhada”, visualizei e contei todas as pessoas que me acompanharam durante a semana. Sem contar, sei que foram imensas e apenas falei com algumas. Apesar de tudo, ao entrar no metro no Cais do Sodré, dou por mim sozinho (estou em silêncio) porém rodeado de vidas paralelas á minha. Mas continuei sozinho. Como é meu hábito, encostei-me e escrevi um pouco, escolhi aproveitar o tempo “livre” que estava a ter.
Solidão acompanhada e talvez seja por isso que é mais sentida, porque estamos sempre acompanhados. Muitas pessoas partilham o nosso espaço. Torna-se mais visível o facto de estarmos sozinhos e até as tarefas mais simples ganham uma perspectiva claustrofóbica.
Durante a semana, ainda estamos salvaguardados, pelo ritmo casa/trabalho. É normal a solidão neste trajecto e aceite socialmente. Cada um criou o seu próprio hábito ou escape de lidar com esse aparente ter nada para fazer. Olhar pela janela? Escutar a conversa de quem está ao nosso lado? Entrar no mundo da imaginação? Dormir? Ler? Esperar que chegue o destino? Cada um de nós, adquiriu hábitos que permitem sentir a segurança necessária para alcançarem o local de trabalho. Ao final do dia, tudo se repete e retornam a casa.
Para quem está sozinho, o desafio é a forma de como podem viver em sociedade. Um local em que as saídas são pensadas para serem em grupo ou em dois. Este é o hábito e o que esperam que aconteça. Ir ao cinema, ao restaurante, passear á beira-mar ou uma simples ida ao café. Para quem está a viver intensamente a solidão e sente que irá ser o foco de atenções, caso decida sair, a simples possibilidade de irem a estes locais e sentarem-se, faz com que entrem em pânico. A sensação de que iremos estar sozinhos e expostos á critica de não estar acompanhados, é algo que faz crescer no nosso peito o mal-estar. Respiração ofegante, suores, dores de barriga (idas á casa de banho). A certeza de que iremos estar inseguros, desenquadrados com todos e que por isso, iremos ser alvo de comentários jocosos. Quem está só e gostaria de ter alguém para estar, utiliza os “filmes” para encontrar desculpas para não sair de casa. Ou seja, por um lado quer estar acompanhada(o) mas por outro prefere estar sozinha(o).
O que fazer com o tempo livre? Para o qual, aparentemente, não temos ocupação? Reflictam e vejam como reagimos a esta pergunta. A resposta é direccionada para o exterior ou para o interior?
- Na Consultoria de Bem Estar, lidamos com a solidão na perspectiva de ser uma mais valia e uma oportunidade pessoal de evoluir. -
A solidão ou como temos vindo a partilhar o “estado solitário”, pode ser vivido pelo prisma de valorização ou anulação pessoal. Caberá a cada um de nós, perceber qual o caminho que se propõe a caminhar e quais os pontos de alegria que pretende juntar em si. Estarmos sozinhos é relativo, porque estamos sempre com alguém (conhecido ou desconhecido), sendo que a partilha de espaço acontece a qualquer momento. A capacidade de lidarmos com o facto de estarmos sós e o assumir de um estado transitório, é algo que começa internamente.
É possível estar sozinho e equilibrado.
É possível estar sozinha e em felicidade.
É possível estar sozinho e manter a motivação em alta.
É possível estar sozinho e crescer com um sorriso.
Para quem está a sentir solidão, convido a uma reestruturação da sua vida. Reconheça quais os pontos que pretende alterar e trace objectivos concretos para si. Sem pressas, pois está a viver a sua vida e como tal, o ritmo será decidido por si. Observe as suas reacções e trace padrões de comportamento, depois observe-os novamente e proponha-se a modificar o que sente ser alterável.
Lê? Escreve? Pinta? Canta? Dança? Faz esculturas? Corre? Faz caminhadas?
Mantém contacto com os seus amigos?
Diz bom dia, a quem passa por si?
Aprova-se como ser emocional?
Gosta de si?
Cuida de si?
Ama-se?
Pequenas dicas, pequenos quebras emocionais, que nos permitem algo tão essencial como a vida: respirar. Convido a respirarem comigo. Abram os pulmões e sintam o ar a entrar em vós. Acreditem no vosso valor, potencial e talento. Se no passado algo correu menos bem? Está feito, o tempo não anda para trás. Porém relembro apenas uma coisa: ele não espera por ninguém. Proponham-se a sentir a vossa vida e tudo o que ela significa para vós. Sentem-se satisfeitos? São felizes? A solidão existe para que se pare e se reflicta. Caso seja o seu caso, comece a reflectir agora, vai ver que tudo ganhará uma visão diferente. Abraço para todos e um sorriso do tamanho de todos os mundos. Sejam felizes.
Até breve.
É um privilégio escrever para a nossa leitura.
Nuno Esteves
Consultor de Bem Estar
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