Solidão como companhia do sec. XXI
Por Nuno Esteves
Bem-vinda(o) a mais esta partilha.
Escolho um tema pertinente. Solidão e o modo de como nos colocamos no seu interior. Provavelmente uma das maiores companhias do sec. XXI e origem de muitos desequilíbrios e instabilidade. A solidão, o estar e sentir a sua existência negativa, faz com que a se crie no interior a dúvida. Nela, toda a força de vontade, dinamismo, inspiração e criatividade são colocadas em causa e inconscientemente anuladas.
No dicionário encontraremos o seguinte significado: Isolamento, separação. Tanto o isolar com o separar, trazem consequências específicas e concretas para tudo o que nos propusermos a ser ou fazer. Ambos orientam o nosso ser para o estar desacompanhado e com mais tempo pessoal. O aparente ócio ou o não ter nada para fazer, cria o mal-estar de não ter ninguém para com quem partilhar ou estar.
Vivemos sem tempo e isto é ironia pura. Sentimos solidão e ao mesmo tempo, sentimo-nos cansados por não conseguir ter tempo disponível para o que queremos fazer. Entre o trabalho e todas as obrigações diárias, vemos o relógio transformar-se em areia e levar os segundos consigo. Sentimos que por muito que fechemos as mãos e que tentemos abrandar o ritmo, somos incapazes de controlar e dar um rumo diferente ao que sentimos ser. Esta dupla realidade, na qual vivemos, transforma a alegria em esforço, a vontade em obrigação dolorosa e a inspiração em algo impossível de partilhar.
Alegria + vontade + inspiração
Esforço + obrigação dolorosa + transtorno emocional
O ser humano, emocional, nasce para ser social. Mais que andar, sente como necessidade primária, ser reconhecido em algo (concreto ou não) e aceite no grupo onde estiver a “habitar”. A não-aceitação inicial origina a necessidade de protecção e de evitar ser motivo de gozo ou de desprezo. O não conseguir relacionar-se ou os acontecimentos traumáticos vividos, fazem com que nos isolemos e consequentemente nos separemos. Sendo “animais” de hábitos, iremos enraizar o padrão de estarmos sozinhos. Esta condição física, mental e emocional, traz como consequência a perca de noção de como lidar com o exterior e devido a isso, a instabilidade.
A gestão do tempo pessoal e o modo de como nos propomos a estar numa qualquer situação ou acontecimento, leva-nos para a consciencialização do que somos e significamos. Podemos ver a solidão como a falta de algo ou simplesmente o reencontro de tudo o que somos.
O ócio poderá ser visto como positivo ou negativo. O não ter nada para fazer ou com quem estar, tem como consequência interna a perca de noção do caminho e perder a criatividade de avançar para algo. Não precisamos de ninguém para ser caminhantes emocionais e apenas na “solidão” iremos conseguir atingir a plenitude de todos os nossos sentidos e emoções. O tempo pessoal, dedicado á solidão, fará com que se conheça mais e melhor tudo o que somos e significamos. O auto-conhecimento é atingido através da escuta e observação interna e na solidão, a percepção será mais fluida, serena, pura e “limpa”.
As prioridades que proporcionamos á opinião externa (principalmente á negativa) são focos de bloqueio e anulação interna. Com receio e ao sentirmos o medo a percorrer o nosso corpo, somos direccionados para a sobrevivência. Este sentimento básico e celular, faz com que se activem as técnicas de auto-defesa, pensadas para que mantenhamos o bem-estar e respectiva protecção interna. Perante o ataque (seja ele qual for) sentimo-nos mal e procuramos de imediato sair da situação e criar a realidade que nos transmitirá a tranquilidade pretendida.
Para quem cresceu com fobia social, timidez e insegurança, a transição para o “mundo” adulto é algo que poderá trazer consequências a curto, médio e longo prazo. Somos reservatórios de memórias e vivências, cada uma com um papel específico e prioridade atribuída. O desconhecido, para quem dúvida do seu papel, importância e significado faz com que qualquer decisão seja sentida como dolorosa e obrigatório. Sentimentos opostos aos que sentimos querer. Para quem cresce na dúvida e apreende ser incapaz de tudo, tudo o que pretende é ficar quieta(o) no seu cantinho de segurança, no seu espaço pessoal. Símbolo de segurança e o conforto do conhecido. Conseguimos transforma-lo num local em que tudo é previsível e esperado.
Para quem está nesta caracterização, a primeira decisão deverá ser compreender e propor-se a assimilar a realidade de tudo. Propor-se a arriscar, no prisma de que irá estar a aprender e a receber novas informações. Dar o melhor, sabendo que irá sentir-se desconfortável e com vontade de fugir. Respirar fundo e utilizar o maior aliado que temos ao nosso dispor: a imaginação. Obrigar o corpo a ir e conhecer novas situações ou pessoas, na consciência se sermos humanos emocionais. Arriscar e respirar fundo, vão ver que sabe bem e que depois, irão verbalizar: “até que nem foi tão mau assim…”.
Solidão. Até agora focamo-nos na perspectiva individual. Porém existe um outro lado: a solidão acompanhada. Este será o próximo tema em partilha. Mantenham-se atentos e acompanhem, de uma forma pró-activa, o que criamos neste espaço.
É um privilégio escrever para a nossa leitura.
Nuno Esteves
Consultor de Bem Estar
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