Nuno Esteves

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Consultor de Bem Estar

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Dou as boas vindas a Bambu, Consultoria de Bem Estar. O meu trabalho tem como objectivos fundamentais, a disciplina e educação do pensamento. Através do desenvolvimento de técnicas que visam a positividade e valorização pessoal, oriento para a desmistificação e entendimento das emoções. Na direcção da criação de rituais diários de auto motivação e libertação de receios, proponho-me formar e dinamizar a pro-actividade, a confiança e a auto-estima. Proporcionando uma simplificação e relativização de conflitos interiores, pretendo criar a consciência da capacidade inerente do ser humano, de enfrentar e ultrapassar qualquer desafio. Fomentando uma atitude de constante crescimento e aprendizagem, o ser humano torna-se mais apto e consciente do seu importante significado no Mundo. Nuno Esteves (Consultor de Bem Estar)

sexta-feira, 1 de julho de 2011

Perda de um filho
Por Nuno Esteves


Um dos factos mais injustos que os Pais poderão sentir.

O fluxo normal e expectável, será o de acompanhar o crescimento e celebrar os feitos ao longo da vida. Ao focarmos no terminus deste caminho partilhado, iremos ver o filho a despedir-se dos Pais e a continuar a sua vida, sempre com os Pais no seu coração. Nada termina.
Este fluxo é o considerado normal por todos e será nele, que as expectativas serão criadas. O filho nasce para ser acompanhado, para ganhar estrutura que permita sobreviver sozinho e continuar a sua evolução.

Porém, o que coloco á reflexão é um assunto delicado e muito sensível. Nesta partilha, iremos focar o oposto. O momento que nenhum Pai quer viver. O medo, que não e falado, mas está presente no coração de todos os Pais. O dia em que acontece a despedida física e se tem que continuar a viver.

Antes de começar a escrever, envio um abraço para todos os que passam esta vivência.

O dia, o segundo, em que acompanham a partida do filho e sentem, pela primeira vez, a confirmação do vazio e solidão do afastamento físico. O instante em que todos os planos e expectativas se desmoronam e o maior receio confirma-se nas suas vidas.

Vivenciado pelos Pais, família e amigos, trará como consequência a tristeza, saudades, incompreensão e a não-aceitação. O luto, vivenciado por muitos, será sentido individualmente. Cada um, irá sofrer a dor á sua maneira e reencontrar o motivo que os leva a querer levantar-se no dia seguinte. Sabendo que no dia a seguir, fisicamente, o filho não vai estar junto.

Neste momento, convido a uma reflexão.
Fiquemos em silêncio, de olhos fechados. Relembrem todos os momentos e todas as vivências que para sempre vos irão acompanhar.
Respirem fundo e libertem a tensão acumulada dentro de vós. Contem de 20 até 0, verbalizem a cada respiração uma recordação e partilhem um sorriso. Convido á celebração da vida, através do mundo que existe em cada um dos nossos corações. De 20 até 0, devagar, a respirar fundo entre números.


Este exercício pode e deve ser feito por ambos os Pais. Sentados, frente a frente e com as mãos dadas. Ao contarem de 20 até 0, convido-vos a focaram a união das vossas mãos. A verbalizarem e manterem o foco na união das vossas mãos. Há medida que se aproximam do 0, relaxem e mantenham a respiração ritmada. Ao chegarem ao 0, confirmem e partilhem um sorriso. Na união que focaram, irão ver o sorriso do vosso filho.


Poderá ser visto simplesmente como uma despedida, uma ruptura total e afastamento. É real e concreta a dor do afastamento físico. Acontece uma alteração de estado entre o fluxo Pais/Filhos e a ao ser assimilada a certeza de que não mais vai ser possível abraçar, sentir, beijar, dar carinho físico ou simplesmente olhar com os sentidos. Será este afastamento físico e um dos pontos mais sensíveis será quando se vir outros Pais com os seus filhos, alegres e a sorrir.

Convido-vos a olharem por um prisma diferente. Cada um de nós existe em dois planos: mental/essência e físico. São 2 realidades que se juntam e o ser reflecte ambos durante a sua existência. Apesar de serem dois estados, o mais visível e valorizado será o que é vista por um maior número de sentidos humanos, neste caso o físico. É através dele que podemos

Existindo um plano mental/essência e um plano físico, quando acontece a quebra do 2º estado, nasce a saudade e a incompreensão de conseguirmos dar uma lógica positiva. É um desafio e nele, a revolta será expectável. È certo que é ingrato e inaceitável, mas não implica a anulação do ser. A realidade altera-se e nessa transformação os Pais serão colocados de confirmarem o seu Amor incondicional.

Um dos maiores papeis dos Pais, é o de proteger e acompanhar. Na perca física, existe o afastamento e a dúvida de como conseguiram ligar o passado ao futuro. O relacionamento entre filho e Pais, evolui para um estado impensável. Pai, Mãe e Filho, passam a estar unidos através de uma ligação mágica e inquebrável: através do seu coração.

Fisicamente irá permanecer a saudade de não poderem abraçar, olhar, cheirar, escutar ou falar. Será expectável a ansiedade e a vontade de chorar. A incapacidade de dar e receber um abraço. A raiva de sentir saudade e de nada poder fazer para alterar a situação.

São muitos os papéis desempenhados pelos Pais. Porem, o de protectores será o mais presente. É inata a necessidade de proporcionar a máxima qualidade de vida e o maior bem-estar. Ao acontecer a perca física, tudo será colocado em perspectiva. Todos os planos caem por terra e o que estava previsto, de súbito, desaparece.
Mas o tempo não pára e os segundos continuarão a ser contados. A vida continua para os Pais, existindo escolhas a serem decididas. A maior escolha será aquela que decidirá como se irão propor viver. Celebrar a vida e todos os momentos vivenciados, recordando na saudade, o sorriso de um(a) filho(a), que estará sempre presente. Ou, optarem pela anulação pessoal, focando toda a sua existência no facto de tudo se ter alterado.

O momento do luto e da dor, são fundamentais para se cumprir a reorganização interna. Chorarem abraçados e conscientes de que não existem culpados nem inocentes. Apenas o facto da transformação. Cada um terá o seu ritmo e no luto, isso estará bem presente. Chorem o que sentirem ter que chorar, mas aos poucos fomentem a transição para a celebração da vida. Ao vosso ritmo.

Será o maior desafio das nossas vidas. Incluo-me nesta frase, mesmo sem ser Pai, porque este tema simboliza para mim, é um dos meus maiores receios. Sou humano e ao ter um filho irei propor-me amar e tudo farei para proteger e ensinar. Irei propor-me a fazer tudo para que atinja a felicidade e bem-estar.
Mentalmente, afasto o pensamento, da possibilidade de algo acontecer no entretanto. Mas reconheço a sua existência e por isso, valorizo o segundo e celebro o momento com a maior percentagem de felicidade. È um desafio, sublinho mais uma vez, para todos nós.

Termino esta partilha, enviando um abraço demorado para todos os Pais que vivenciam esta transição. Para mim, são heróis e simbolizam a força e coragem. Uma das maiores provas de Amor incondicional. Choro convosco a saudade, num sorriso que partilho através do brilho do nosso olhar.

Amanhã desconheço onde estarei, mas neste momento abro os braços para todos. È vosso o meu abraço.

Celebremos a vida.

Até breve.

É um privilégio escrever para a nossa leitura.

Nuno Esteves
Consultor de Bem Estar

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